- Agora? Sei não, acabei de chegar em casa…
Do outro lado ele responde:
- Diz que posso! Quero tanto ver você!
- Tá, meia hora e daí você vem. Só para conversar, viu?
-Meia hora, entendi.
Com a chaleira a meio caminho do fogão ela pensa: “ Fiquei maluca?”
Do outro lado da cidade ele pensa: “ Vou fazer com que ela fique maluca por mim!”
Meia hora depois, exatamente, ele chega:
Ela abre a porta da frente e nem sequer tem tempo de falar. O beijo dele é arrebatador, urgente, definitivo. Ela bem que esboça uma resistência mas o beijo fica mais profundo, mais íntimo, deixando-a com as pernas bambas, o coração disparado, a pele arrepiada. Meio desajeitadamente eles cambaleiam juntos, até que as costas dela batem na parede fria do corredor. Aquilo a desperta. Um pouco.
- Não! Eu quero conversar com …
Ele não responde. Olha fixamente, profundamente, bem dentro dos olhos claros dela. Os dele são um poço escuro, e na firmeza do olhar escuro dele ela sente que está perdida. Definitivamente perdida.
A mão direita dele afasta um punhado de cabelo do rosto dela. Como é possível que apenas um toque leve faça meu coração disparar desse jeito? –ela pensa. Os olhos escuros dele têm um brilho tão quente e tão sensual que a fazem tremer de novo. Louca! Claro que não seria apenas conversa…nunca foi. Duas forças, duas labaredas é o que eles sempre foram!
Ele sente o pulso acelerar quando afasta os fios de cabelo dos olhos dela. Nunca uma mulher o afetara dessa forma, tão intensamente. O que eu vou fazer com você? – ele pensa. Estava dominado, enfeitiçado. E tanta conversa só havia dificultado as coisas entre eles. Chega de conversar, não é isso que vai resolver.
Ele inclina levemente o corpo e a beija outra vez, com a mesma intensidade mas também com uma urgência que a incendeia! As maõs dela estão no peito dele. Descem lentamente, sobem outra vez. Ela sente o coração dele disparar debaixo dos seus dedos. Os beijos dele queimam sua pele, espalham calor e uma fome louca, desesperada. Quero este homem! Meu Deus, eu quero tanto!
- Vem! – ela toda é uma chama.
- Diga. Diga o que quer. Diga que sim!
Há um brilho intenso nos olhos claros. Ele pode ver a fome, a urgência dela se igualando à sua. Já vira essa fome antes. Sabe que assim que for satisfeita ela o porá para fora. Do quarto. De casa. Da vida dela. É agora ou jamais:
- Diga o que sabe que tem que dizer!
O beijo dele é ainda mais íntimo. As mãos dele agora avançam pelo corpo dela. Fogo!
- Diga!
- Que droga! Pàra de falar e vem! – ela o puxa com força, enfia as maõs pela abertura da camisa.
Ele não a afasta, ao contrário, intensifica a intimidade. Toca o corpo dela da mesma forma com que ela o toca. Afasta a blusa cor de rosa dela… desce os lábios pela pele arrepiada do pescoço, sempre descendo…
- Diga!
Ela sente a pele úmida, toda ela é uma coisa só, os olhos vidrados de desejo.Quando a boca dele roça de leve o seio esquerdo ela inclina ainda mais o corpo, num convite claro. Não, não é só desejo. Se fosse seria simples. Não tem mais jeito, estou perdida.
- Sim! Eu volto a viver com você!
Ele não responde. Nem precisa. A mão roçando a pele nua das costas e a boca que se fecha sobre os seios dela são tudo o que ela precisa ouvir…






















